sexta-feira, 6 de maio de 2016

12º Encontro Internacional de Música e Mídia Viver sua música

12º Encontro Internacional de Música e Mídia
Viver sua música
São Paulo
14 a 16 de setembro, 2016


Viver sua música... De quantas maneiras é possível? Talvez uma das experiências mais antigas seja a do acalanto, seguida das cantigas rimadas, das danças de roda. Na primeira infância, pela transmissão oral... Depois surgiria a prática instrumental, a escuta mais ou menos atenta, de acordo com o repertório e seus rituais de fruição.
Assim deve ter sido a vivência musical, até pouco mais de há cem anos. Mais propriamente falando, até o final do século XIX, com o advento da esquizofonia tecnológica. Transformações drásticas foram surgindo no modo de vida das pessoas, em poucos anos - fato inédito ao longo de mais de dois milênios. Com a invenção de recursos de captação, transmissão, amplificação, armazenamento das informações acústicas surgiram os aparelhos de gravação e, logo em seguida, de transmissão, possibilitando a criação e desenvolvimento daquilo que se convencionou denominar indústria cultural. Este novo panorama, atingiu vários setores da sociedade, abrindo novos horizontes em várias instâncias no âmbito econômico, cultural, artístico. Objetivamente, estreitaram-se as relações entre os campos de estudo da sonologia e a performance musical.
A mediatização técnica aos poucos promoveu, inicialmente, a escuta em local fixo - a sala residencial, a sala de concertos. Mais tarde, a escuta ambulante, com fones de ouvido de grife ou descartáveis, comprados de vendedores ambulantes a preços módicos. A era digital promoveu a interação do estímulo visual, em paralelo ao sonoro (e, em várias situações, o estímulo visual, antes coadjuvante, tornou-se a orientação da atitude da escuta...)
Viver a música implica, frequentemente, o uso de acessórios materiais que, na falta de outro nome, podemos chamar de instrumento musical. Dentre uma miríade de exemplos, podem ser lembrados o piano, o tambor, o iPod, o toca-disco e o smartphone, dispositivos usados para a produção ou reprodução musical em ambientes e culturas os mais variados. Muitos desses aparelhos lembram a proximidade do conceito tecnologia, palavra utilizada para falar de novas propostas de performance e escuta – isto é, de vivência – da música. Ainda que existam até hoje aperfeiçoamento em materiais ditos “tradicionais”, como vernizes para violinos ou ligas metálicas para instrumentos de sopro, o que tem ganhado muita atenção é o uso da eletrônica em geral e suas aplicações digitais em particular. Porém, afirma-se, todos esses meios técnicos podem servir ao fim último do viver a música.
No que diz respeito à performance, verifica-se que, inicialmente a fonografia elegeu a voz como fonte privilegiada das primeiras gravações. Tal fato concorreu, ao mesmo tempo, para a criação do hábito de escuta da performance sem a presença direta do corpo e, mais ainda, distante dos espaços canônicos de sua realização. Por outro lado, permitiu a veiculação de modelos estéticos vocais filtrados e padronizados segundo critérios não apenas estéticos e técnicos, mas também mercadológicos. Como consequência imediata, a outras formas de escuta que decorrem de tal experiência são contundentes: escuta-se a voz a partir de um corpo imaginado. Não obstante, a voz realiza a performance, fundamentalmente, por intermédio de seus aspectos peculiares de capacidade de transmissão de suas emoções.
Vive-se a música de acordo com os estágios da vida: o bebê percebe de maneira diferente da criança, do adolescente, do adulto e do idoso. E também vivem a música, de maneira singular, as pessoas que, por razões diversas, fogem ao padrão: cegos, surdos, deficientes intelectuais, físicos e também pessoas que sofrem alterações de ordem psíquica. Tais receptores ouvem com o corpo em formas e protocolos distintos, reconfigurados e redesenhados continuamente.
Viver a música também é estudar o papel da música na sociedade, sua relação com outras artes, sua relação com as instituições, seu papel na construção de conhecimento, nas formas de agir no mundo, seu papel na vida das pessoas, bem como as suas formas de apropriação: questões de gênero, seu uso político, até como arma guerra (etc.)
Enfim, vivemos nossa música de várias maneiras e em diferentes graus de proximidade: da escuta atenta a qual dirigimos nossa atenção de maneira intensa, à mais despretensiosa, conjuntamente ao desempenho de múltiplas tarefas... E, embora não pareçam, todas elas constituem operações de alta complexidade intelectual, que acabam resultando em hábitos corriqueiros.
Este 12º Encontro dedica especialmente sua edição à memória do compositor Gilberto Mendes, incentivador desta reunião científica desde sua primeira edição, em 2005. Por isso, tomamos o título de seu segundo livro de memórias como motivação para os debates que se desenrolarão ao longo de três dias. Mas também, aproveitamos esta edição para evocar outros nomes que viveram sua música de maneira muito especial: nomes que deixaram de ser pessoas, para se transformarem signos... Poderosos signos representantes de sua época, de sua estética e de sua maneira de propor a escuta e fruição da música: Pierre Boulez, Keith Emerson, David Bowie, Prince, Severino Filho, Nicolaus Harnoncourt, Naná Vasconcelos, George Martin... Assim como não-músicos profissionais que viveram a música de outra forma, como Rogério Duarte e o teórico Umberto Eco. A organização do 12º Encontro convida os interessados a participarem das discussões, como ouvintes ou propondo comunicações, dentro dos eixos temáticos, a seguir:



Eixos temáticos:



 1                Viver a música, na diferença
Coordenação: Harete V. Moreno, Ricardo Santhiago, Wladimir Mattos.

 A fruição musical está diretamente relacionada às diferentes formas de ouvir, pensar e expressar a música. O estudo destes comportamentos e suas motivações tende a tomar como base alguns padrões definidos como típicos do ser humano. Entretanto, muitas pessoas vivem as suas músicas em condições físicas, psíquicas e socioculturais que não correspondem a estes padrões. Há também importantes diferenças quanto à nossa experiência musical a cada estágio da vida: o bebê percebe de maneira diferente da criança, do adolescente, do adulto e do idoso. Vivemos a música em formas e protocolos distintos, continuamente reconfigurados e redesenhados. Este eixo pretende discutir estes “atravessamentos” que nos permitem compreender o que é viver a música, nas diferenças.

2       Ouvivendo a música: voz, corpo e emoção
Coordenação: Heloísa Valente e Juliana Coli

Recentemente, os avanços tecnológicos das linguagens da comunicação têm possibilitado a mensuração da voz humana cantada e falada, sob vários aspectos. Por se tratar do instrumento que reúne num só corpo instrumento e meio de execução e, tendo em conta que cada corporeidade vocal em registros fonográficos não pode ser apreendida objetivamente pela totalidade da performance (cf. Zumthor), conceitos oriundos da psicofonética (Fonágy), bem como da psicologia/personagem vocal (Bouchard), podem resultar em uma aproximação das nuances representadas pela complexidade do objeto em si: a voz. Ao mesmo tempo, a experiência da performance vocal dos “intérpretes incorpóreos”, podem expandir e acrescentar novas realidades estéticas, promovendo novas formas de sensibilidade e novas situações de escuta (novos contextos e lugares) ampliando, assim, os instrumentos de análise dos processos criativos, sem deixar de lado as performances convencionalmente estabelecidas.


3       Viver a música, no uso de instrumentos musicais
Coordenação: Theophilo Augusto Pinto e Sami Douek
Tendo como inspiração o pensamento de Antoine Hennion, propõe-se refletir sobre o instrumento musical não como um ente isolado, dado - ou seja, “morto”, estático - como se fosse apenas um elemento material a ajudar a compreensão de uma dada cultura. Também parece pouco pensar apenas sua evolução tecnológica sem que esta esteja ligada a outras dimensões do fazer música, seja na sua execução ou na sua escuta. Mais afirmativamente, este eixo temático pretende refletir sobre o instrumento musical como ator que, juntamente com partituras, pessoas, público (etc), negocia sua participação ativamente no uso dos recursos tecnológicos, na criação de gostos, estéticas, padrões de comportamento, narrativas e outros aspectos do viver musical.

Eixo 4 Os poderes da música e a música do poder
Coordenação: Fernando Iazzetta e Paulo Chagas

Pode-se afirmar que, em grande medida, devido à sua natureza autorreferente, a música acaba é objeto de abordagens contrastantes, senão contrárias: De um lado, pode cimentar ou subverter relações de poder, tal como apontam destacados sociólogos (T. Adorno; J. Attali). De outra parte, pessoas envolvidas no universo musical (músicos, compositores, em particular) tendem a relegar a importância da música como linguagem da cultura, na sociedade e dentro do próprio campo artístico. Sob a alegação de ser uma arte abstrata, questões para além do que se costuma encampar no seu domínio (gramáticas, formas, estilos, etc.) acabam despercebidas ou desprezadas. Assim, o papel da música na sociedade, sua relação com outras artes, sua relação com as instituições, seu papel na construção de conhecimento, nas formas de agir no mundo, seu papel na vida das pessoas, bem como as suas formas de apropriação (questões de gênero, seu uso político, até como arma guerra, dentre outros) tornam-se temas periféricos. Sendo notória a necessidade de estimular debates a respeito, este eixo pretende discutir e problematizar as maneiras segundo e pelas quais se vive a música.



 Coordenação geral e curadoria:

Heloísa de A. Duarte Valente 
Simone Luci Pereira

Comitê científico e de leitura:

Harete Vianna Moreno
Juliana Coli
Marta Fonterrada
Ricardo Santhiago
Sami Douek
Theophilo Augusto Pinto
Wladimir Mattos

Fernando Iazzetta (Conselho consultivo/ convidado)
Paulo Chagas (Conselho consultivo/ convidado)


Secretaria e assessoria de comunicação
Raphael F. Lopes Farias
Paulo Henrique Lopes

Editor
Ricardo Santhiago

Webdesigner
Luiz Fukushiro


Convidados internacionais: 

Philippe Le Guern (Universidade de Nantes/ Musimorphoses), 
Sophie Maisonneuve (Universidade Paris Descartes- IUT; Musimorphoses) 
Rubén López-Cano (Escola Superior de Música da Catalunha)

Local: cidade de São Paulo (local a ser divulgado em breve)
Data: 14 e 16 de setembro.


Modalidades de participação:

Comunicações orais
Sessões de pôsteres
Sessões audiovisuais.


Datas importantes:Chamada para trabalhos: 
5 de maio a 10 de junho

Envio das propostas de trabalho: 
15 a 31 de maio

Resultado da seleção:
 20 de junho

Envio dos trabalhos completos: 
8 de agosto




quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Gilberto Mendes: concerto em março de 2015: Teresinha Prada

Divulgando homenagem de Teresinha Prada

Amigos,
com muita emoção vi que a Sintonize divulgou esse vídeo. Foi a última vez que estive com Gilberto Mendes, de 18 a 21 de março de 2015 em Campinas, no Instituto de Artes da Unicamp. Eu agradeço muito essa oportunidade. Abraços, Teresinha Prada.

Obras:
Blirium - 00:00
Preludio - 09:10
Quasi una Passacaglia - 11:30
Compositor - Gilberto Mendes (1922-2016)
Violão - Teresinha Prada


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

GILBERTO MENDES, Surfando com James Joyce e Dorothy Lamour, nos mares do céu...


O MusiMid manifesta seu profundo pesar pelo falecimento de Gilberto Mendes (13/10/1922- 01/01/2016). Renomado compositor, professor, crítico e, nos últimos anos, romancista, Gilberto foi, além de tudo, um grande incentivador de todos as pessoas que a ele se dirigiram, solicitando orientação, opinião, sobre o que faziam. 
Quem pôde visitá-lo em sua residência certamente comprovará que de lá saiu com uma ideia a ser desenvolvida. 
Suas provocações instigantes, quase sempre lançadas de maneira delicada levaram muita gente a sair da tranquilidade que universo da redundância oferece, lançando-se à aventura do NOVO.
Este grupo de pesquisa a muito deve à figura dele: esteve presente desde os seus primeiros momentos, participando de maneira mais ou menos direta, como a produção do MusiMid comprova nos seus Encontros, iniciados em 2005 - e até antes deles. O Encontro de 2009 (O Brasil dos Gilbertos) talvez tenha sido a inspiração mais radical, resultando num belo livro, que organizei com Ricardo Santhiago (O Brasil dos Gilbertos:notas sobre o pensamento (musical) brasileiro, Letra e Voz).
A ciência e a medicina ainda não inventaram a vida eterna, mas a mente humana inventou os signos. 
Então, se Gilberto Mendes separou-se de seu corpo físico, tudo o que ele criou e transmitiu aos seus amigos, interlocutores e alunos permanecerá como signo: pelos vários registros que deixou mas, sobretudo pelos signos do afeto; pelas redes de amigos e continuadores de seus princípios estéticos e éticos!
Como líder do MusiMid, desde sua fundação, deixo minha modesta homenagem a este homem, com o qual tive o privilégio de conviver, por mais de 20 anos e que, foi uma das pessoas que mais radicalmente contribuíram para a minha formação intelectual.

Heloísa de A. Duarte Valente

Gilberto Mendes (1922-2016): Sailing in the Ocean of Creativity

Paulo Chagas

The Brazilian composer Gilberto Mendes passed away on Friday, January 1st 2016. He was one of these composers who always sought new directions for his music, who always challenged himself with new concepts and actions. Gilberto had a great impact on many generations of composers and musicians from Brazil and other countries including myself. He lived a long and happy life close to the Atlantic ocean in his beloved city of Santos, which was at the same time his safe haven and springboard for many endeavors in Brazil and around the world. As a self-taught composer, he grew up watching Hollywood movies, which was one of his great passions and constitutes a reference to understand his music. In the early 1960s he traveled to Europe and attended the composition summer courses in Darmstadt, Germany, which at the time was the mecca of the post World War II avant-garde music. There, Mendes had the opportunity to meet cutting-edge composers of the "New Music" such as Pierre Boulez, Henri Pousseur, and Karlheinz Stockhausen who, like him, where looking for new ways to express sounds and music. He assimilated and introduced in his own work some aesthetic trends of the New Music that played a crucial role in the music of second half of 20th century music such as integral serialism, aleatoric music, graphic music, Musique Concrète, and Elektronische Musik.
But Gilberto Mendes was not someone who just incorporated other's thoughts; he constantly generated his own conceptions and, above all, he put in practice his ideas in different contexts. Furthermore, his innovative attitude contributed to the development of Brazilian music and society. A significant initiative was the “Manifesto Música Nova” [New Music Manifest] that Gilberto released 1963 in collaboration with other composers and musicians. They swore the "total commitment to the contemporary world", which means accepting the economic reality of the mass media and the changing status of the artist in the society. The manifest points to the necessity to explore the new possibilities of electronic media and information technologies in a globalized world. They wanted new forms for a new society: Gilberto Mendes and his colleagues contributed to overcome the limitation of the nationalistic approach that shaped Brazilian music in the first half of the 20th century with the following message: if you pretend to be a Brazilian composer and create genuine Brazilian music, you have to look into the whole world and create music that reflects the issues of the time.
In 1962 Gilberto Mendes founded the "Festival Música Nova" [New Music Festival] and remained its artistic director and/or mentor until his death. The festival, which is considered one of the oldest of its kind in the world, has been an important platform of national and international exchanging and collaboration, a real bridge connecting Brazilian and musicians from all over the world. Gilberto commissioned new works, gave opportunity to emerging composers and invited prestigious musicians from Europe and North America to perform in the festival. For a composer as myself living since 1980 outside Brazil, the “Festival Música Nova” has been a great opportunity to connect with the Brazilian community and audience of contemporary music. For example, in 2008 I had the privilege to present in the festival my work Orbital Studies for piano and live-electronics (with a 8-channel sound spatialization system) in cooperation with the great Brazilian pianist Caio Pagano. Gilberto Mendes' musical openness provided the pluralistic vision that shaped the festival. His charismatic personality was crucial to ensure the continuity of this event, which has always fought against financial difficulties and the mediocre vision of Brazilian cultural institutions.
It is not easy to highlight the myriad of accomplishments by Gilberto Mendes. His compositions draw inspiration from many difference sources and have been performed worldwide. His works from the 1960's are particularly successful, such as the orchestral piece "Santos Football Music", a work conceived as a musical happening in which Gilberto critically reflects on the Brazilian passion for the soccer game and its idols such as “Pelé”, the greatest soccer player of all time who played in his hometown team Santos Footfall Club. His pieces for choir, mostly written for the "Madrigal Ars Viva" from Santos and using texts by Brazilian concrete poets, reveal an amazing deal of originality. For example, the madrigal "Beba Coca-Cola" [Drink Coca-Cola] with poetry by Décio Pignatari, a composition that explores the advertising appeal of the coke beverage and the disgusting effect it causes in our body (the singers burp on stage). When Gilberto Mendes started an academic activity he was already an accomplished composer. He was Visiting Professor at the University of Wisconsin-Milwauke (1978-9) and Professor of Composition at the University of São Paulo in the 1980s. But he was far away from being a typical academic composer. Besides composing, he was a passionate writer and journalist. For example, in 2009 he published the book "Viver Sua Música” [Living Your Music], which is autobiographic account of his life and music.
Gilberto Mendes lived an intense life, even in his later years. He never lost his curiosity and entrepreneurial spirit, which brought him to explore new cultures and musical horizons. His personality overflowed freedom and a great sense of humor. He embraced both the libertarian ideals of social justice and individual expression. As a former member of the Brazilian Communist Party, he nourished a great respect for the 20th century socialist revolutions, but critically recognized the harmful consequences of totalitarian ideologies. I visited Gilberto Mendes many times in his apartment in Santos and had the privilege to engage long conversations with him and his delightful spouse Eliane. We talked of course about music and composition—he was always interested in knowing what other composers were doing— but also a lot about politics, which was a subject of common interest. I could sense the great admiration he had for the American culture, Jazz music and especially Hollywood cinema, which seems to capture his extraordinary imagination. His mind was steadily grounded in the reality but continuously producing new insights and original thoughts. Sharing Gilbert's company was a real pleasure. He always surprised me with his impressive sense of humor and the ability to overcome the difficulties of life. He kept moving things around him and revealing the inconsistence of absolute truths; he had this incredible capacity of perceiving the absurd and comic that makes the essence of human. As I said above, Santos was for him a save haven. He never wanted to leave the city. His small apartment was located close to the beach in a dense urban environment. It had a balcony from which one could barely see the sea among the surrounding buildings that hinder vision. But one could feel the strong symbolic presence of the sea in Gilberto's live. It invaded his apartment and propelled his fantasy. Gilberto kept sailing in the ocean of creativity.


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

11º Encontro Internacional de Música e Mídia

A organização do 11º Encontro agradece a participação ativa e entusiasmada de todos que estiveram presentes no evento e que ajudaram a divulgá-lo.
Em virtude de problemas técnicos, a publicação das atas ainda levará algum tempo a ser concluída.
Convidamos os interessados a acompanhar notícias também na página do MusiMid no Facebook.

domingo, 3 de maio de 2015

11º Encontro Internacional de Música e Mídia: Uma vereda tropical: Aproximações, percursos e disjunções na cultura brasileira e suas “latinidades conexas”.

 11º Encontro Internacional de Música e Mídia:

Uma vereda tropical:
Aproximações, percursos e disjunções na cultura brasileira e suas “latinidades conexas”.

23 a 25 de setembro, 2015.

I          APRESENTAÇÃO:


11º Encontro Internacional de Música e Mídia:

Uma vereda tropical:
Aproximações, percursos e disjunções na cultura brasileira e suas “latinidades conexas”.

23 a 25 de setembro, 2015.


I          APRESENTAÇÃO:

Escolhemos a letra de Vereda tropical, muito conhecida obra de Gonzalo Curiel (1904-1958), traduzida em vários idiomas, como motivação para um período de três dias intensos de debates, apresentação de pesquisas e obras artísticas. Propõe-se uma imersão na cultura que veio dos países de língua castelhana, sobretudo na América Latina e suas conexões com o Brasil.. Como ponto de partida, recuamos às décadas de 1940-50, quando as mídias já se haviam estabelecido no mundo e já criado linguagens específicas, gostos estéticos e hábitos de consumo desses produtos.
A música figura como um dos pontos centrais deste estudo. Em se tratando de linguagem presente no cotidiano da época verifica-se que, a despeito de uma sisuda recriminação da intelligentsia daquela época, que julgava certos segmentos do repertório transmitidos nas estações de rádio e comercializados em disco como “influências deletérias na musicalidade brasileira”, estes signos que chegaram dos países de língua castelhana, dentre os quais se incluem o bolero, a rumba, estabeleceram-se, por muito mais de uma década e, mesmo após perderem sua hegemonia, continuaram presentes, ganhando novo alento na última década do século XX.
Por essa e outras razões, o tema do 11º Encontro convida a comunidade acadêmica e artística para estudar as múltiplas conexões que se estabelecem entre as culturas dos países de língua castelhana, nas Américas – especialmente a América Latina e o Brasil, tanto no passado como no presente, de maneira a revelar aspectos particulares de suas matrizes culturais, abrindo-se para o entendimento destas pontes ou hibridismos culturais em variados momentos históricos, tanto em suas matrizes culturais como também em momentos recentes ou contemporâneos.
O 11º Encontro de Música e Mídia convida todos os interessados para compartilhar dos debates que ocorrerão ao longo dos três dias, durante os quais se desenrolará o evento.
Coordenação geral:
Heloísa de A. Duarte Valente
Simone Luci Pereira
Ricardo Santhiago

Organizadores convidados:

Anselmo Guerra (UFG)
Guilherme Maia (UFBA)
Isabel Porto Nogueira (UFRGRS)
Maria Gabriela Marinho (UFSBC)
Theophilo A. Pinto (FEBASP)

O evento é uma iniciativa do Centro de Estudos em Música e Mídia, com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Cultura Midiática (UNIP) e do Programa de Pós-Graduação em Música (USP) e será realizado na cidade de São Paulo, entre os dias 23 e 25 de setembro.
Com o objetivo de ampliar os debates, o MusiMid convida os pesquisadores interessados a participar do evento, a propor discussões a partir de aproximações a esse tema, bem como subtemas.

Modalidades de participação:
Comunicações orais
Sessões de pôsteres
Sessões audiovisuais.

Eixos temáticos:

Linguagens audiovisuais: papel da música na construção de um padrão de gosto latino-americano

Coordenação geral: Guilherme Maia e Theophilo Augusto Pinto.

O cinema musical foi protagonista da história do cinema em vários países do mundo durante mais de 30 anos, a partir do estabelecimento do padrão estável do filme com imagem e som em sincronismo até meados dos anos 1960. Na América Latina, em países como Brasil, Argentina e México, os musicais de ficção ocuparam uma posição chave na matriz estratégica da implantação da indústria de filmes neste período. Também foi o rádio que, até a década de 1950, pelo menos, teve o maior poder de penetração. A canção composta em língua castelhana teve forte presença e manteve, igualmente, uma conexão direta com o México e Cuba, mas articulada com a indústria cultural estadunidense, materializada na forma do patrocínio que alguns programas recebiam e nos personagens que criavam. Este eixo temático acolherá propostas que tenham como tema o trânsito da música dos países hispânicos em filmes brasileiros, as reverberações da música brasileira em países da América Latina e nas demais cinematografias mundiais,  trabalhos sobre produções brasileiras inspiradas em temáticas latino-americanas e hispano-americanas que tenham tido impacto no exterior, assim como sobre a repercussão na cultura brasileira das gravações fonográficas de trilhas sonoras e de filmes com músicos e cantores-atores hispanohablantes.

Modernidades a Media Luz. Aproximações, percursos e disjunções da cultura brasileira e suas “latinidades conexas
Coordenação geral: Simone Luci Pereira e Maria Gabriela S.M.C. Marinho
Este eixo temático procura englobar propostas de trabalho em que  se apresentem análises sobre as relações culturais entre Brasil e América Latina que  chamaríamos provisoriamente de “latinidades conexas”: a música, dramaturgia e visualidade, impressos, rádio, televisão, cinema no largo período compreendido entre 1930 e 1970, particularmente, considerando as mudanças de cunho político e tecnológico que incidiram, ao longo desses anos. Quais as conexões que se estabeleceram entre o Brasil  e os países envolvidos e como as “influências recíprocas” se amalgamaram? Pretende-se, portanto, identificar e analisar de que forma  se estabeleceram circuitos  nos quais as produções culturais  e  o  modus operandi  de países da América Latina se interconectaram, incorporando práticas, discursos e trejeitos.
A estética de língua castelhana: Memória, nomadismo, desconstruindo as fronteiras da canção.

Coordenação: Heloísa de A. Duarte Valente e Isabel Porto Nogueira

As músicas de língua castelhana, dentre as quais o bolero figura como gênero musical mais representativo teve presença marcante nas décadas de 1930 a 1960. Constituiu marcos de sustentação de um processo de consolidação de memória e “nomadismo” (Zumthor), na paisagem sonora e cultural brasileira. Nesse processo, tanto o bolero como outros gêneros musicais, romperam fronteiras, abrindo possibilidades para apropriações múltiplas. Este eixo temático acolherá propostas de trabalho que abordem os repertórios musicais, tendo em conta os processos de nomadismo, territorialização, memória e esquecimento, respondendo a questões como: Em que circunstâncias surgem as versões “nômades”? Como são tratados os elementos musicais e extramusicais (letra, na canção, performance)? Que componentes de imaginário social essas obras carregam? Como e porque ocorre a ressemantização de antigos sucessos, reconvertidos como retrô, vintage ou outras designações? Como se constroem e reconfiguram as relações entre gêneros musicais e representações de gênero?

Identidade latino-americana da música contemporânea: trajetória, influências estéticas e ideológicas no Brasil

Coordenação:  Anselmo Guerra e Juliano de Oliveira

A partir de fins da década de 1950, compositores, pesquisadores e músicos de origem latino-americana e hispânica atuaram no Brasil trazendo a estética musical eletroacústica. Provenientes de países como Argentina, Uruguai, como os casos notáveis de Eduardo Bértola, Conrado Silva, Coriún Aharonián, envolvidos no meio acadêmico ou em grupos como o Núcleo Música Nova e oficinas como dos Cursos Latino-americanos de Música Contemporânea. Esse eixo temático pretende resgatar a memória dessas influências nesse contexto estético e levantar discussões teóricas sobre uma possível identidade estética latino-americana e seu legado na cultura brasileira.

Datas importantes:

Chamada para trabalhos: 22 de abril a 31 de maio
Envio das propostas de trabalho: 1º a 31 de maio
Resultado da seleção: 20 de junho
Envio dos trabalhos completos: 8 de agosto


Maiores informações (em breve), na página do MusiMid: www.musimid.mus.br/11encontro.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

10º Encontro Internacional de Música e Mídia

Caros leitores,

Anunciamos que as informações relativas ao


 10º Encontro Internacional de Música e Mídia:
Com Som. Sem Som. Liberdades políticas; liberdades poéticas 

estão sendo publicas no endereço 

www.musimid.mus.br/10encontro 

gratos pela atenção e prestígio ao nosso trabalho!

MusiMid tem página no Facebook!

caros leitores,

anunciamos a abertura da página do MusiMid no Facebook, no  endereço;

https://www.facebook.com/musimid

Lá é possível deixar seu comentário.


agradecemos a sua visita!

10º Encontro Internacional de Música e Mídia:


10º Encontro Internacional de Música e Mídia- Programação final:


17 de setembro


18 de setembro

19 de setembro


9h00-9h30
Credenciamento









9h30- 10h00

Solenidade de Abertura:
Coordenadora da Pós-Graduação da UNIP
Profª Drª Marina A. López Soligo

Coordenador da Pós-Graduação em Comunicação – UNIP
Prof. Dr. Mauricio Ribeiro da Silva

Coordenadores do MusiMid
Profª Drª Heloísa de A. D. Valente
Profª Drª Simone Luci Pereira
Prof Ms. Luiz Fukushiro



9h00-10h30

Sessão temática 3 e 4
Comunicações orais




9h00-10h30

Sessão temática 7 e 8
Comunicações orais



10h00-12h00

Mesa-redonda de abertura:
Mesa-redonda 1: Com som. Sem som. Aprendendo a falar e a calar.

Profª Drª Daphne Patai
ProfªDrª Marisa Fonterrada
Profª Drª Susana Sardo


10h30-12h00

Diálogos

Prof. Dr. David K.Dunaway
Comentadores: Prof. Dr. Ricardo Santhiago
Prof. Dr. Jorge Miklos


10h30-12h00
Mesa-redonda:
Com Som. Sem Som: as imagens e o espaço.

Coordenação: Luiz Fukushiro
Prof. Dr. Atílio Avancini, Prof. Dr. Maurício R. da Silva
Prof. Dr. Miguel Angel García

12h-00 13h30
(Intervalo)

12h00- 13h30
(Intervalo)


12h00- 13h30
(Intervalo)

13h30- 15h00
Sessões temáticas 1 e 2
Comunicações orais



13h30- 15h00
Sessões temáticas 5 e 6
Comunicações orais


13h30-15h00

Sessões temáticas 9 e 10
Comunicações orais



15h00- 15h30
Sessão de pôsteres


15h00- 16h00

Sessão temática MusiMid
Trabalhos realizados e em andamento
Moderadora: Profª Drª Heloísa de A. D. Valente

Apresentação de projetos concluídos e em andamento



15h30- 16h45

Exibição:
O sole mio! Música italiana, na terra da garoa.
Direção: Pedro Miguez
Produção: Profª Drª Heloísa de A. D. Valente
Profª Ms. Marta Fonterrada


15h30- 16h30

Exibição: A geladeira Prof. Dr.Paulo Chagas
Comentarista: Prof. Dr; André Egg



16h30-17h00
(Intervalo):


16h00-16h30
(Intervalo)


16h45-17h30
(Intervalo)

17h00- 18h30
Mesa-redonda 2:
Coordenação: Profª Drª Simone L. Pereira
Profª Drª Márcia Ramos de Oliveira
Prof. Dr. Adalberto Paranhos
Profª Drª Kátia Paranhos



16h30- 18h00

Mesa-redonda 3:

Coordenação: Prof. Ms. Marcel O. Souza
Profª Drª Marita Fornaro,
Profª Drª  Maria Mercedes Liska




17h30- 19h00

Com Som. Sem Som: Liberdades políticas; liberdades poéticas:
Coordenação Prof. Drª Carla Delgado de Souza
Prof. Dr. André Egg
Profª Drª Lina Maria Noronha



19h00-19h30
Lançamentos e apresentações artísticas